Oººº°° CURIOSIDADES BÍBLICAS °°ºººO
--------------------" REALMENTE A BÍBLIA DIZ ASSIM OU OUVIMOS ALGUÉM FALAR? "-------------------

Peixe, Símbolo do Cristianismo?

12:54

Sim, o peixe foi um dos símbolos do Cristia­nismo. O peixe era alimento básico entre os ju­deu. Embora duas vezes tenha sido objeto de mi­lagre, e assim como o pão tornou-se símbolo de Cristo, assim também o peixe pôde ser lembra­do como provisão de Deus. Uma vez que o pei­xe era um alimento essencial, a profissão de pes­cador era comum. O Senhor Jesus usou a figura do pescador e da pesca para exemplificar o discipulado e a abrangência do Reino de Deus.
Os ministros de Deus são chamados pescado­res, porquanto procuram conquistar os homens para Cristo e para o reino (Mt 4:19; Mc 1:17; Lc 5:10).
Como símbolo cristão, a palavra grega para peixe, ichthys, era dividida como segue: / (Je­sus); ch (Cristo); th (de Deus); y (Filho); s (Salva­dor). A frase grega, por inteiro, era: Ieosous Christós Theou hyiós, Soter, ou seja: Jesus Cris­to, Filho de Deus, Salvador.


Tornando o mais famoso acróstico da Antigüidade e de toda a História, sem dúvida, foi criado pelos primitivos cristãos. Tomando as letras iniciais da frase grega Iesous Christós, Theou hyiós, Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formou-se o acróstico ichthus (peixe), animal adotado como símbolo místico por esses religiosos. Eis o acróstico, em grego:

Além de ser o acróstico mais conhecido, esse foi também o mais perigoso em toda a História. A prática do Cristianismo só se tornou totalmente liberada no início do século IV. Durante o primeiro século da Era Cristã, os cristãos foram perseguidos e presos. Muitos deles faleceram nas arenas romanas, lutando contra leões. A associação de qualquer cidadão romano com esse acróstico, sinal secreto de adesão à doutrina cristã, bastava para que ele se tornasse uma vítima da intolerância religiosa do Estado romano.

Observe a imagem do peixe ainda preservada nas catacumbas romanas, onde os cristãos primitivos se encontravam para praticar secretamente o culto.


O Peixe foi um dos primeiros símbolos cristãos, os cristãos para se identificarem desenhavam no chão o peixe, assim podiam conversar sobre Cristo com outro cristão, sem correr o risco de ser morto por um perseguidor, hoje esse simbolo continua a ser usado por algumas denominações cristãs.

Esse mesmo acróstico foi parte central de uma das mais famosas e duradouras fraudes literárias da História, que alguns estudiosos consideram fundamental para a difusão do Cristianismo em seus primeiros séculos de existência.
Figuras do peixe no chão em mosaico na igreja da multiplicação dos pães em Tabgha - Israel


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Jesus Desceu ao Inferno?

15:00

I Pe 3.19 - Jesus desceu ao inferno? (Parte 1) / Daniel Grubba

A Bíblia, como qualquer outro livro da antiguidade, contem algumas passagens que são de difícil interpretação. E mesmo com tanto progresso exegético e hermenêutico, ainda assim, em alguns casos específicos, a busca pelo real significado do texto é uma tarefa árdua. Todavia, a complexidade da tarefa não nos impede de tentarmos transpor estes abismos, seja ele cultural, histórico, religioso, teológico, filosófico ou lingüístico, uma vez que a teologia exegética tem desenvolvido, em contato com outros ramos do saber, algumas ferramentas fundamentais, que certamente nos ajudará a transpor os abismos.

Dos muitos textos bíblicos que tiram o sono dos teólogos, existe um que simboliza toda esta questão. O texto é I Pedro. 3.17-20. Assim está registrado:

Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal. Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água.

Destes três versículos, há um que chama atenção de qualquer leitor atencioso. No verso 19, o autor, está afirmando categoricamente que Jesus pregou aos espíritos em prisão. Mas que raio de espíritos são esses? Quando e onde exatamente Jesus pregou a estes espíritos? Porventura, são estes espíritos, espíritos dos mortos santos? Ou pecadores? Ou são espíritos malignos? Como vemos, muitas questões vem à tona, porque o texto não é claro em respondê-las. Mas este texto suscita uma outra outra pergunta, que pode ser considerada como a “pergunta que não quer calar”. Jesus desceu ao inferno para pregar aos espíritos? Obviamente, esta pergunta ainda tem destroncamentos. Existem outros textos bíblicos que apóiam esta interpretação? Qual a razão de Jesus ter ido pregar aos espíritos no inferno?

Este é o tipo de texto em que devemos tomar muito cuidado, justamente por causa da sua falta de clareza. Uma das regras da hermenêutica bíblica, desenvolvida por Agostinho (354-430 d.C.), serve muito bem de alerta contra a tentação de apoiar uma doutrina em um versículo enigmático. A nona regra de Agostinho, conforme resumo de Ramm, preza que “se um significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir-se matéria de fé ortodoxa” [1]. Esta regra é tão bem fundamentada que nunca foi descartada e ainda esta em voga. Norman Geisler, renomado teólogo da atualidade, afirma que é um grande erro “basear um ensino numa passagem obscura”[2].

A primeira proposta que deve ser descarta como herética, é a idéia equivocada de que Jesus foi ao inferno para dar uma segunda oportunidade aos incrédulos que morreram em iniqüidade. Mas alguém crê nisso realmente? Sim. Este é o caso dos universalistas[3], mas principalmente dos mórmons, que acreditam baseado neste versículo que as pessoas têm uma segunda chance de serem salvas após a morte, afinal, um Deus realmente amoroso deve ser capaz de oferecer uma outra oportunidade as pessoas no sentido delas poderem mudar de decisão.

Primeiramente, esta idéia pressupõe que Deus não deu oportunidades as pessoas antes de elas morrerem, ou que simplesmente não houve tempo suficiente para o indivíduo tomar uma decisão, e isto se trata evidentemente, de uma especulação sem nenhum fundamento. Em segundo, a bíblia não dá suporte a esta idéia. O texto de II Pe 3.9 declara que Deus esta aguardando, mediante sua longaminidade, o arrependimento dos homens, e isto quer dizer que ninguém pode alegar falta de tempo. Um outro testemunho bíblico bastante incisivo, que refuta esta idéia de que não houve oportunidades antes da morte, foi elaborado pelo apóstolo Paulo em Rm. 1.20, que diz que a verdade de Deus esta claramente revelada através da obra de sua criação, portanto todos são indesculpáveis. E para aumentar ainda mais a responsabilidade do homem em relação às imutáveis leis de Deus, Paulo enfatiza, mas também amplia a idéia de Rm 1.20 em Rm 2.15, declarando que Deus colocou sua lei moral na consciência de todos os homens, tanto judeus, que tinham a lei escrita, quanto gentios, que não a tinham. Segue-se ainda o fato da bíblia, sem qualquer chance de interpretação dúbia, declarar “que aos homens está destinado morrer uma só vez e depois vem o juízo” (Hb 9.27, ver também Lc.16.26).

J.P. Moreland, filósofo e teólogo cristão, reforça o testemunho bíblico acrescentando um argumento filosófico bastante interessante. Ele diz que “se as pessoas vissem o trono do julgamento de Deus após a morte, isto seria tão coercitivo que não mais teriam a possibilidade da livre escolha e qualquer decisão que tomassem não seria uma livre escolha real e genuína, mas totalmente forçada, uma vez que estariam fazendo uma escolha prudente só para evitar o juízo[4]”. Ainda no aspecto ético-filosófico, Wayne Grudem nos lembra que Pedro não diz que Jesus pregou aos espíritos em geral, mas só aos que “noutro tempo foram desobedientes [...] enquanto se prepara a arca[5]”. E se Cristo ofereceu uma segunda oportunidade de salvação, porque só a esses pecadores da época de Noé e não a todos[6]?

[1] - Citado por Henry Virkler em Hermenêutica Avançada, p. 45.
[2] - Norman Geisler enumera em seu livro Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e contradições da Bíblia, os principais erros de categoria cometidos pelos críticos da Bíblia. Abordamos a número 6 que diz: basear um ensino em uma passagem obscura. Lista completa, p.18-32.
[3] - Sistema teológico e filosófico que afirma (baseado mais na intuição humano do que na doutrina bíblica), que todos os homens serão salvos. Na pior das hipóteses o inferno que existe é apenas um período passageiro, uma espécie de purgatório. Mais detalhes em Enciclopédia de apologética (Norman Geisler). p.847-852
[4] - Citado no livro de Lee Strobel, Em defesa da fé, p.256.
[5] - Isto fala de um publico bastante limitado (I Pe. 3.20) – rebeldes [...] da época de Noé. Portanto qualquer teoria que se baseie em I Ped. 3.19 deve levar em alta consideração este contexto maior, que declara de maneira muito clara que Jesus pregou aos “espíritos em prisão” que se rebelaram enquanto se preparava a arca. Perceba que o texto não indicou o que vem a ser estes “espíritos em prisão”.
[6] - Conforme argumentação de Wayne Grudem em Teologia Sistemática, p. 492.


I Pe 3.19 - Jesus desceu ao inferno? (Parte 2) / Daniel Grubba

Segunda teoria: Libertar os santos piedosos do AT

Para o teólogo escocês e judeu, Myer Pearlman, a passagem de I Pe 3.19 testifica que Jesus desceu ao inferno em algum momento entre sua morte e ressurreição. Mas Jesus desceu ao inferno para fazer o que exatamente?

Em primeiro lugar, Pearlman credita esta passagem como um cumprimento de profecias, ou seja, Jesus estava apenas cumprindo profecias do AT (Salmo 16.10 e 49.15). Em segundo, Pearlman, afirma que Jesus após sua morte, desceu ao coração da terra (Mt 12.40; Lc 23.42,43) para libertar os santos do Antigo Testamento, levando-os consigo para o paraíso celestial. Ele mesmo explica dizendo que “essa descrição parece indicar que houve uma mudança nesse mundo dos espíritos e que o lugar ocupado pelos justos que aguardam a ressurreição foi traslado para as regiões celestiais[1]”.

A implicação obvia de acordo com esta proposta de Pearlman é que “desde este acontecimento os espíritos dos justos sobem para o céu [2]”. Bom, se os espíritos dos santos do AT subiram para o céu a partir deste momento especial, a conclusão lógica, é que antes de Cristo, os fieis iam para o inferno e que estavam presos por lá até Cristo chegar. Mas onde exatamente, encontramos na bíblia idéia de que os santos do AT foram para o inferno após a morte [3]? Vejamos algumas considerações:

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o contexto maior de Pedro, não especifica crentes no Antigo Testamento em geral, mas só os que foram desobedientes “nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca (I Pe 3.20). Em segundo lugar, o texto não diz que Cristo pregou aos que eram crentes ou fieis a Deus, mas os que “noutro tempo foram desobedientes” – a ênfase está na desobediência deles [4]. Em terceiro, o “seio de Abraão” (Lc. 16.23), provavelmente não é uma descrição do inferno e sim do céu, uma vez que o lugar para onde Abraão foi é chamado por Jesus de reino dos céus (Mt. 8.11). Em quarto, a Bíblia registra em muitas passagens que a alma dos santos do AT após morrerem vão diretamente para o céu [5], porque seus pecados foram perdoados pela confiança no Messias que viria (Gn 5.24; 2Sm 12.23; Sl 16.11; 17.15; 23.6; Ec. 12.7; Mt 22.32-32; Lc 16.22; Rm 4.1-8; Hb 11.5).

Ainda que esta posição seja melhor que a primeira (segunda chance para os penitentes), e a também a mais popular [6], estas considerações enumeradas acima, mostram muitos pontos fracos, o que nos leva desconsiderá-la como uma interpretação válida.

[1] - Myer Pearlman, Conhecendo as doutrina da Bíblia, p. 375.
[2] - Idem, p. 375.
[3] - De acordo com os partidários desta posição havia dois compartimentos no inferno, uma para os salvos e outro para os perdidos. Esta proposta esta baseada principalmente em Lc. 16.19-31 que fala sobre o local dos mortos (em hb. Sheol e gg. Hades, ambos vocábulos significam sepultura). A parábola do Rico e Lazaro fala que os dois morreram. O primeiro foi para o Inferno e o segundo para o Seio de Abraão. Myer Pearlman conclui a partir daí que havia duas divisões no Sheol, um lugar de sofrimento e outro lugar de descanso. Até mesmo a morada dos santos mortos, não era o céu propriamente dito, mas estava situado nas regiões inferiores.
[4] - Wayne Grudem, Teologia Sistemática, p. 493.
[5] - De uma maneira curiosa Myer Pearlman confirma esta idéia, o que obviamente contradiz o que ele quer comprovar. Myer afirma que “havia pessoas verdadeiramente justificadas antes da obra expiatória de Cristo” - (Abraão – Rm.4.23; Moises – Lc.9.30-31; Enoque e Elias ambos arrebatados para o céu). – Myer Pearlman, Conhecendo as doutrinas da Bíblia, p. 197.
[6] - O pastor e apologista da doutrina pentecostal, Marco Feliciano, considerado como “o pregador do povo”, popularizou esta posição em sua pregação intitulada “A agonia da cruz”, pregado na Igreja Assembléia de Deus (dez/2004). De uma maneira bastante eloqüente e poética, o pregador leva o público a meditar no momento em que Cristo desceu ao inferno e quebrou as cadeias dos santos do AT que estavam aprisionados.


I Pe 3.19 - Jesus desceu ao inferno? (Parte 3) / Daniel Grubba

Terceira teoria: Proclamar vitória aos poderes das trevas

Uma terceira posição, é a de que Jesus, entre sua morte e ressurreição foi a inferno. Porém, a diferença é que esta suposta viagem metafísica não foi planejada com a intenção de oferecer segunda chance aos penitentes, tampouco libertar santos do AT, mas apenas para proclamar uma mensagem de vitória aos poderes do maligno. Esta teoria é tão popular quanto a anterior (libertar santos do AT).

Para Norman Geisler e Ron Rhodes, os espíritos em prisão “eram seres não salvos, devem ter sido anjos ao invés de seres humanos [1]”. Robert H. Gundry (Ph.D. em Estudos do Novo Testamento pela Manchester University) diz que “a pregação de Cristo aos espíritos em prisão mui provavelmente significa que Cristo desceu seu espírito ao hades, a fim de proclamar Seu triunfo sobre os espíritos demoníacos que ali haviam sido acorrentados por Deus [2]”. Roger Stronstad, editor do Comentário Bíblico Pentecostal, afirma que Jesus em virtude de sua morte, foi até os anjos aprisionados e anunciou sua vitória sobre a morte e as conseqüências de seu triunfo, isto é de que julgamento já estava selado [3].

Esta posição está fundamentalmente baseada em uma análise léxico-sintática de I Pe 3.19. Como já vimos este versículo diz que Cristo “foi e pregou aos espíritos em prisão” (NVI). E o que chama a atenção dos estudiosos desta sentença é o verbo pregar. A análise revela que Pedro usa propositalmente a expressão original grega kerussõ (khru,sow) que significa: “ser arauto”, ou em geral, “proclamar” [4]. Este termo é diferente de outra expressão grega euangelizõ (euvaggeli,zw), que significa pregar ou evangelizar (no sentido de dar oportunidade de escolha), que quase sempre é usado acerca das “boas novas” relativas ao Filho de Deus, conforme são proclamadas no Evangelho [5].

Neste contexto a melhor tradução bíblica em português de I Pe 3.19 é a KJA [6] que diz: “no qual igualmente foi e proclamou aos espíritos em prisão”.

Tomar as chaves da morte, inferno e Satanás.

É muito comum ouvirmos em pregações, principalmente quando o tema é batalha espiritual, uma expressão que diz: “Satanás é tão pobre que nem a chave de sua casa (inferno) ele tem mais”. Esta expressão popular [7] está intimamente associada com a idéia da ida de Cristo ao inferno. Muitos entendem que Jesus em sua rápida passagem pelo inferno proclamou a vitória da redenção, e de quebra tomou das mãos de Satanás as chaves do inferno e da morte.

Devemos mais uma vez rejeitar esta posição alegórica, pois o texto de I Pe 3.19 não diz isto claramente. E os versículos que tratam das chaves da morte e do inferno, nenhum, absolutamente, associa estas chaves como pertencentes a Satanás. “Somente o Senhor possui as chaves da morte e do inferno. Ninguém mais!” [8] Esta soberania está explicita em textos como Mt. 16.19, que diz que a chaves do reino dos céus foi entregue por Jesus aos apóstolos. E também em Ap. 1.18, texto em que o próprio Jesus declara que as chaves da morte e do hades (NVI) pertencem a ele. Em nenhum momento Jesus diz foi ao inferno (ou até mesmo a bíblia), e precisou roubar as chaves das mãos de Satanás, uma vez que este ser angelical nunca as teve em suas mãos [9].

Proclamar vitória aos anjos caídos

Segundo os expoentes desta teoria, a pregação aos espíritos, não é às “boas novas” propriamente dita, mas o ato de Jesus proclamar Sua vitória aos espíritos dos anjos caídos [10]. Com isso, eles querem dizer, que os “espíritos em prisão que há muito desobedeceram [...] enquanto a arca era construída” (NVI) são os filhos de Deus de Gn.6.2. Declara-se que os “filhos de Deus” eram anjos caídos, assim como em Jó 1.6 e 2.1 que (segundo se declara) abandonaram seu estado propriamente dito (espiritual) e se casaram com mulheres nos tempos de Noé [11] (Gn 6.1-4). Portanto, sugerem que Cristo foi proclamar vitória a estes anjos caídos da época de Noé [12].

Sobre isto devemos dizer esta idéia está mais baseada em mitos da literatura apócrifa apocalíptica judaica [13] do que na Bíblia, pois em Mt 22.30, Jesus diz que anjos não se casam. Um outro ponto fraco desta interpretação é que o contexto maior de I Pe 3 destaca pessoas hostis (I Pe 3.14,16) e não demônios, ou anjos caídos. E mesmo que o texto indicasse que eram demônios, exatamente de onde os leitores de Pedro encontrariam a idéia de que os anjos pecaram “enquanto se preparava a arca (I Pe 3.20)? Não há nada disso na história a respeito da construção da arca em Gênesis [14].

De fato, como acabamos de ver, estas interpretações propostas são bem interessantes, mas algumas contradições irreparáveis as prejudicam. Wayne Grudem após analisar esta tese (proclamar vitória aos poderes das trevas) conclui:

Os leitores de Pedro teriam de se submeter a um processo de raciocínio incrivelmente complicado para chegar a essa conclusão, já que Pedro não ensina isso de modo explicito. [15]

[1] - Norman Geisler e Ron Rhodes, Resposta às seitas, p. 411.
[2] - Robert H. Gundry, Panorama do Novo Testamento, p. 394.
[3] - Roger Stronstad comentando I Pe 3.19 no Comentário Bíblico Pentecostal, p. 1718.
[4] - De acordo com o Dicionário VINE, p. 891. Ele diz que o verbo ekeryxen significa; proclamar uma mensagem, da parte de um rei ou potentado. (Ver também; Gleason Archer, em Enciclopédia de temas bíblicos, p. 356).
[5] - Dicionário VINE, p.891.
[6] - A nota textual de rodapé da KJA (King James Atualizada) explica que este tipo de pregação foi uma proclamação vitoriosa realizada por Jesus sobre o inimigo e toda a malignidade do universo (2 Pe 2.4-5; Cl 2.15).
[7] - O grupo musical de louvor, Diante do trono ajudou a popularizar esta posição através da música “A vitória da Cruz”, composta por Ana Paula Valadão Bessa e gravada ao vivo no Parque da Gameleira (BH) em Jul/2000. A estrofe mais significativa para nosso trabalho diz: “O Leão de Judá pisou bem forte e os esmagou, Tomou as chaves das mãos do diabo, Abriu minas cadeias e me resgatou”. De fato é uma linda poesia inspirada, resta-nos saber se é biblicamente correta.
[8] - Franklin Ferreira & Alan Myatt, Teologia Sistemática, uma analise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, p. 620. Citação tirada pelos autores do livro de Heber Carlos de Campos, “Descenti ad Inferna”, p.126-127.
[9] - É importante observar que o conceito de chaves em Ap. 1.18 está associado ao controle absoluto de Deus sobre a vida e sobre a morte. Outros textos corroboram com intensidade este conceito (Dt. 32.39; I Sm 2.6; Jo 5.21).
[10] - Dicionário VINE, p. 892.
[11] - Outras explicações menos lendárias devem ser analisadas e preferidas. Em outros contextos “filhos de Deus” muitas vezes se referem a seres humanos, embora em contextos diferentes (Dt. 14.1; 32.5; Sl 73.15; Is 43.6; Lc 3.38; IJo 3.1). Uma possibilidade válida é que “filhos de Deus” se refere a homens piedosos, descendentes de Sete e “filhas dos homens” se refere a mulheres pecaminosas da linhagem ímpia de Caim. Mais detalhes em Nota Textual de Gn 6.2, da Bíblia de Estudo NVI, p. 15.
[12] - É assim que interpreta o texto David H. Stern. Ele diz: Os espíritos aprisionados são os anjos que pecaram (2 ped 2:4) e não mantiveram sua autoridade originaria (judas 6). Isto é, eles são “filhos de Deus ou filhos dos anjos), também chamados nefilim (caídos), que caíram de sua própria esfera, o céu para a terra, e “vendo (...) que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres” nos dias de Noach (Gênesis 6:2-4). Mais detalhes em Comentário Judaico do Novo Testamento, p. 820-821.
[13] - O livro apócrifo de I Enoque ( datado de 165 a.C. a 90 d.C.) defende a idéia mostra como os anos caídos coabitaram com as filhas dos homens que geraram uma raça monstruosa de gigantes (I Enoque 7.1;15.1;86.1). Segundos o relato (15.1), esses gigantes forma destruídos pelo Dilúvio, mas seus epíritos foram deixados soltos como demônios para corromper todo gênero humano. (David, S. Russel, Entre o AT e o NT, p.103.).
[14] - Wayne Grudem, Teologia Sistemática, p. 493.
[15] - Idem, p. 493.



Jesus realmente desceu ao inferno?

Colocamos em pauta as três principais soluções apresentadas pelos estudiosos para o problemático texto de I Pe 3.19. São propostas diferentes, porem ambas as argumentações concordam que Jesus desceu ao inferno depois de morrer. Abordamos cada uma delas e verificamos as incoerências. Mas há um problema que todas têm que enfrentar. É que a origem da frase “desceu ao inferno” não aparece em nenhum lugar da Bíblia. Mas de onde exatamente surgiu esta idéia?

O Credo Apostólico

A primeira ocorrência da expressão “desceu ao inferno” está no Credo Apostólico, que tem a expressão latina “descendit ad inferna” (desceu aos infernos/hades) e a outra se encontra no Credo de Atanásio, com a expressão latina “descendit ad inferos” (desceu às regiões inferiores). O texto final do Credo Apostólico faz uma bela declaração de fé:

Creio em Deus, o Pai onipotente, Criador do Céu e da Terra. E em Jesus Cristo, seu único filho, nosso Senhor, o qual foi concebido do Espírito Santo, nascei da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu aos infernos, no terceiro dia ressussitou dos mortos, subiu aos céus, este sentado a destra de Deus, o Pai onipotente, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa igreja católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Sobre o desenvolvimento histórico do Credo Apostólico, Wayne Grudem diz que “foi surpreendente descobrir que a frase desceu ao inferno não se encontrava em nenhuma das versões primitivas do credo até que ela apareceu um uma versão de Rufino em 390 d.C., o único a incluí-la antes de 650 d.C”. Já que não é uma doutrina bíblica, Heber Campos afirma que devemos rejeitar as várias idéias relacionadas como a “decida literal de Jesus ao hades”.

Interpretação mais equilibrada

Ao rejeitarmos as idéias apresentadas anteriormente, somos forçados automaticamente a sugerir alguma outra interpretação mais coerente, porém com os mesmos critérios de avaliação. Vamos propor, na verdade, duas interpretações diferentes, mas que não são contraditórias entre si, pois entendemos que ambas podem ser usadas como propostas válidas e mais confiáveis biblicamente falando.

Interpretação reformada

O entendimento dos teólogos reformados com respeito a eventual descida de Jesus ao hades é bem diferente da de muitos cristãos, principalmente dos estudiosos citados neste trabalho. Esta interpretação está na verdade baseada na proposta do reformador de Genebra, João Calvino (1509-1564). Ele sustentou que “a descida ao hades foi a experiência das dores do inferno na alma de Jesus, enquanto seu corpo estava ainda pendurado na cruz, especialmente a experiência da ira divina contra o pecado, que ele suportou no lugar dos seres humanos”. Para Calvino, a alma de Cristo tinha de sentir todos os efeitos do juízo pois se alma dele não tivesse sido afetada pelo castigo, seria somente salvação de corpos. Erwin Lutzer corrobora com esta idéia, principalmente quando se analisa com profundidade o significado do brado de Cristo, enquanto pendurado na cruz em meio às trevas (Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? (Mt 27.46). Ele diz:

Jesus certamente suportou o sofrimento do inferno, pois o inferno é escuridão, é desamparo, é ser abandonado por Deus, e se foi assim, o horror do que ele experimentou está além de nossa compreensão.

Heber Carlos de Campos, escritor reformado, conclui dizendo que “Jesus nunca desceu ao hades de literal e espacialmente, mas experimentou intensivamente todas as coisas que o hades representa”.

Interpretação analógica

A explicação da interpretação tipológica não chega a contradizer a interpretação reformada, mas dá ao texto I Pe 3.19-20 um enfoque diferente, todavia ambos concordam que Cristo não desceu ao inferno literalmente. Segundo Wayne Grudem, esta explicação é a mais satisfatória de I Pe 3.19-20 e remonta Agostinho que já dizia: a passagem não se refere a algo que Cristo fez entre sua morte e ressurreição, mas ao que “fez no âmbito espiritual da existência” (ou pelo Espírito) nos dias de Noé. Isto quer dizer que quando Noé estava construindo a arca, Cristo, “em espírito” estava pregando por meio de Noé aos incrédulos hostis em torno dele.

Esta concepção, não é tão popular, mas é digna de alta consideração. Não é tão mitologia quanto as anteriores (exceto a interpretação reformada), não se baseia em doutrinas humanas (Credo Apostólico) e tem apoio bíblico considerável. Por exemplo, em I Pe 1.11, ele diz que o “Espírito de Cristo” falava por intermédio dos profetas do Antigo Testamento. Em 2 Pe 2.5, ele chama Noé de “pregador da justiça”, empregando o substantivo keryx que vem da mesma raiz do verbo pregar de I Pe 3.19. Tudo isso nos leva a concluir que Cristo “pregou aos espíritos em prisão” por intermédio de Noé nos dias anteriores ao dilúvio. Esta idéia levanta um problema, pois eruditos em grego, afirmam que a Bíblia nunca usa “espírito” em referencia aos humanos. Como responder a isto?

As pessoas a quem Cristo pregou por meio de Noé eram incrédulos sobre a terra na época de Noé, mas Pedro os chama “espírito em prisão” porque estão agora na prisão no inferno (A NASB diz que Cristo pregou “aos espíritos agora em prisão) [...] Assim, Cristo pregou aos espíritos em prisão significa: cristo pregou as pessoas que são agora espírito em prisão, quando ainda eram pessoas sobre a terra.

Um outro conjunto de versículos em Pedro apóia está interpretação, de acordo com o contexto maior de I Pe 1.13-22. Neste contexto geral, Pedro parece fazer uma analogia interessante entre a situação de Noé e a situação de seus leitores. O confronto entre estas épocas distintas revela que ambos faziam parte de minoria justa, rodeados por incrédulos hostis, aguardavam o iminente juízo de Deus (I Pe 4.5-7; II Pe 3.10), deviam pregar com ousadia (I Pe 3.14, 16-17; 3.15; 4.11) e eram salvos ou seriam salvos (I Pe 3.13-14; 4.13; 5.10).

Conclusão

A pergunta que não quer calar agora pode ser respondida. Jesus desceu ao inferno? A resposta é não. Verificamos que há muitos problemas em adotar esta concepção e o testemunho do restante da bíblia não o apóia definitivamente. Como afirma Wayne Grudem, é no mínimo confusa e, na maior parte dos casos, enganosa para os cristãos de hoje.


Autor: Daniel Grubba
Extraído na íntegra com autorização:
Blog: Soli Deo Gloria




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Jesus Foi Apresentado no Templo ao Oitavo Dia?

16:14

Não foi no oitavo dia que Jesus foi apresentado no templo, e sim circuncidado ao oitavo dia e lhe dado o nome de Jesus, observe:

“Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido.” (Lc 2:21) (ARA).

Na lei de Moisés em Levítico diz:

“Fala aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda sete dias; como nos dias da sua menstruação, será imunda. E, no oitavo dia, se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio.” (Lv 13:2-3) (ARA).

Ele só foi apresentado no templo após purificação de sua mãe, segundo a lei de Moisés, observe:

“Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado; e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos.” (Lc 2:22-24) (ARA).

Na lei de Moisés em Levítico diz:

“Depois, ficará ela trinta e três dias a purificar-se do seu sangue; nenhuma coisa santa tocará, nem entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. E, cumpridos os dias da sua purificação por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano, por holocausto, e um pombinho ou uma rola, por oferta pelo pecado, à porta da tenda da congregação; o sacerdote o oferecerá perante o SENHOR e, pela mulher, fará expiação; e ela será purificada do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina.” (Lv 12:4,6 e 7) (ARA).

Então, quando Jesus foi apresentado no templo?

Segundo a lei de Moisés, registrado em (Levítico 12:1-8) (ARA), diz:

“Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda sete dias; como nos dias da sua menstruação, será imunda. E, no oitavo dia, se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois, ficará ela trinta e três dias a purificar-se do seu sangue; nenhuma coisa santa tocará, nem entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. Mas, se tiver uma menina, será imunda duas semanas, como na sua menstruação; depois, ficará sessenta e seis dias a purificar-se do seu sangue. E, cumpridos os dias da sua purificação por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano, por holocausto, e um pombinho ou uma rola, por oferta pelo pecado, à porta da tenda da congregação; o sacerdote o oferecerá perante o SENHOR e, pela mulher, fará expiação; e ela será purificada do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina. Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará, então, duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado; assim, o sacerdote fará expiação pela mulher, e será limpa.”

Somando (8) oito dias para circuncidar e mais (33) trinta e três de purificação da mulher, da um total de (41) quarenta e um dias. Então Jesus foi apresentado no templo após (41) quarenta e um dias.
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Estevão Viu os Céus Abertos Enquanto Estava Sendo Morto a Pedradas?

15:18

Estevão, foi elegido como diácono, para servir a mesa, “E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.” (At 6:5-8) (ARA)

Observe que Estevão estava sendo interrogado no Sinédrio, quando viu os céus abertos:

“Então todos os que estavam assentados no conselho, fixando os olhos nele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo.”(At 6:15) (ARA)

“E, ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. Mas eles gritaram com grande voz, taparam os seus ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele. E, expulsando-o da cidade, o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu.” (At 7:54-60) (ARA)

Observe que Estevão já tinha visto o céus abertos, no Sinédrio, depois o conduziram para fora da cidade e ali o apedrejaram, e Estevão enquando era apedrejado, oravam por eles e assim morreu. (At 7:58-60). O interessante é que Saulo, depois Paulo estava presente na morte de Estevão. (At 7:58; 8:1; 22:20)
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Como Morreu Judas Iscariotes?

21:28
Sempre ouvimos falar que Judas Iscariotes foi e se enforcou; que está correto, mais a Palavra do Senhor, a Bíblia diz algo mais sobre a sua morte, que foi terrível observe.

Lc 22:3 “Entrou, porém, Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, o qual era do número dos doze.”

Mt 27:3 “Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,”

Mt 27:5 “E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.”

At 1:18 e 19 “Ora, este adquiriu um campo com o galardão da iniqüidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. E foi notório a todos os que habitam em Jerusalém; de maneira que na sua própria língua esse campo se chama Aceldama, isto é, Campo de Sangue.” (ARA)
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A Primeira Chuva Foi o Dilúvio?

21:06


Você sabia que nunca havia chovido na terra até o dilúvio? O dilúvio foi a primeira chuva que caiu sobre a face da terra, até então a terra era regada pelo orvalho ou vapor.

“ Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; porque o SENHOR Deus não fizera chover sobre a terra, e também não havia homem para lavrar o solo. Mas uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.” Gênesis 2:5-6. (ARA)
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Jessé, pai de Davi, tinha quantos filhos? (7) sete, (8) oito, (9) nove ou (10) dez?

17:02


Jessé possuiu (8) oito filhos
(I Sm 16:10-13; 17:12; I Cr 2:13-15)

“Jessé”[1], Pai de (8) oito filhos (I Sm 16:10-13; 17:12; I Cr 2:13-15), filho de Obede e neto de Boaz e Rute (Rt 4:17, 22; I Cr 2:12; Mt 1:5; Lc 3:32), ele é o único do seu nome, e geralmente era chamado “Jessé o Belemita”, por ser de Belém (I Sm 16:1, 18; 17:12, 58). Jesus Cristo faz parte da genealogia de “Jessé” (Mt 1:1-6; Lc 3:23-32). Desde o tempo do Êxodo era famosa a família de “Jessé”, pertencente à casa de Perez (Rt 4:18). Em (I Sm 17:12) é lhe dado o título completo de “efrateu de Belém de Judá”. O profeta Isaías põe o nome de “Jessé” no ponto mais alto de honra: “Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo... Naquele dia, recorrerão às nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada” (Is 11:1, 10). O apóstolo Paulo também faz menção das palavras do profeta Isaías a respeito de “Jessé”. “Também Isaías diz: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão” (Rm 15:12).
[1] יִשַׁי, Yíšay, (hebraico)
(Jessé = "presente de Deus")
ישי Yishay (aramaico) אישׂי ’Iyshay
(Jessé = “Eu possuo”)
procedente de uma raiz não utilizada significando sobressair, ou existir;
1) ser, existência, substância, há ou existe
1a) substância
1b) existência
1c) há


Esposa de Jessé, mãe de Davi (DESCONHECIDA)
(I Sm 22:3)

Esposa de Jessé, mãe de Davi, (o seu nome é desconhecido) possuiu (10) dez filhos (I Sm 16:10-13; 17:12; I Cr 2:13-16), sendo (2) duas filhas, “Zeruia e Abigail” (ICr 2:16) e (8) oito filhos (1º) Eliabe ou Eliú, (2º) Abinadabe, (3º) Samá (Sama) ou Siméia, (4º) Natanael, (5º) Radai, (6º) Ozém, (7º) DESCONHECIDO, (8º) Davi” (I Sm 16:10-13; 17:12; I Cr 2:13-15). Alguns peritos crêem ter sido elas apenas meias-irmãs, aparentada por parte de mãe, mas não por parte de pai, reza que “Abigail” é chamada de "filha de Naás". Na versão dos setentas (LXX Septuaginta grega) edição de Lagarde reza "Jessé", ao invés de "Naás", neste versículo. Várias traduções modernas também rezam dessa forma. No entanto, é digno de nota que o registro em (I Cr 2:16) não chama “Zeruia e Abigail” de “filhas de Jessé”, mas, antes, de "irmãs" dos filhos de Jessé, inclusive Davi. Isto permite crer na possibilidade de que a mãe deles tivesse primeiro casado, a quem deu à luz as (2) duas filhas, antes de se tornar esposa de Jessé e mãe de seus (8) oito filhos, com um homem chamado “Naás” (II Sm 17:25), provavelmente seja o rei “Naás” como descreve em (I Sm 11:1-2), que foi morto pelo rei Saul, segundo o historiador judeu Flávio Josefo. Estes versículos são de difíceis compreensões para muitos rabinos, pois “Naás” poderia ser outro nome de Jessé, pai de Davi; para outros, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé; para outros mais, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé. Então “Zeruia e Abigail” seriam meias-irmãs de Davi e enteadas de Jessé seu pai.

1º Filho de Jessé - Eliabe ou Eliú

(I Sm 16:6; 17:13, 28; I Cr 2:13; II Cr 11:18 )

“Eliabe”[2], era o primogênito (primeiro) dos (8) filhos que Jessé possuía, sendo assim o irmão mais velho de Davi (I Sm 16:6; 17:13, 28; I Cr 2:13; II Cr 11:18 ), foi o primeiro a se apresentar diante do profeta Samuel, ele é chamado “Eliú”[3], chefe da tribo de Judá (I Cr 27:18), por ter sido o primeiro filho de Jessé, talvez tivesse recebido essa posição principesca.
[2] אליאב ’Eliy’ab (hebraico)
(Eliabe = “meu Deus é pai” ou “Deus é pai”)
אל ’el
Procedente de forma contrata de;
1) deus, semelhante a deus, poderoso
1a) homens poderosos, homens de posição, valentes poderosos
1b) anjos
1c) deus, deus falso, (demônios, imaginações)
1d) Deus, o único Deus verdadeiro, Javé
2) coisas poderosas na natureza
3) força, poder
אב ’ab
Procedente da raiz;
1) pai de um indivíduo
2) referindo-se a Deus como pai de seu povo
3) cabeça ou fundador de uma casa, grupo, família, ou clã
4) antepassado
4a) avô, antepassados — de uma pessoa
4b) referindo-se ao povo
5) originador ou patrono de uma classe, profissão, ou arte
6) referindo-se ao produtor, gerador (figuradamente)
7) referindo-se à benevolência e proteção (figuradamente)
8) termo de respeito e honra
9) governante ou chefe (específico)
[3] אליהוא ’Eliyhuw ou (forma completa) אליהו ’Eliyhuw’ (hebraico)
(Eliú = “Ele é meu Deus”)
אל ’el
Procedente de forma contrata de;
1) deus, semelhante a deus, poderoso
1a) homens poderosos, homens de posição, valentes poderosos
1b) anjos
1c) deus, deus falso, (demônios, imaginações)
1d) Deus, o único Deus verdadeiro, Javé
2) coisas poderosas na natureza
3) força, poder
הוא huw’ do qual o fem. (além do Pentateuco) é היא hiy’
Procedente de uma palavra primitiva;
1) ele, ela
1a) ele mesmo, ela mesma (com ênfase)
1b) retomando o suj com ênfase
1c) (com pouca ênfase seguindo o predicado)
1d) (antecipando o suj)
1e) (enfatizando o predicado)
1f) aquilo, isso (neutro) pron demons
2) aquele, aquela (com artigo)
הוא huw (aramaico) ou (fem.) היא hiy’ (aramaico)
Correspondente a;
1) ele, ela
1a) (enfatizando e retomando o sujeito)
1b) (antecipando o suj)
1c) como pron demons
1d) (relativo)
1e) (afirmando existência)


2º Filho de Jessé – Abinadabe
(I Sm 16:8; 17:13; I Cr 2:13)

“Abinadabe”[4], segundo dos (8) oito filhos de Jessé e que se apresentou diante do profeta Samuel antes de Davi ser ungido a rei (I Sm 16:8; 17:13; I Cr 2:13).
[4] אבינדב ’Abiynadab (hebraico)
(Abinadabe = “meu pai é nobre” ou “meu pai está disposto”)
אב ’ab
Procedente de uma raiz;
1) pai de um indivíduo
2) referindo-se a Deus como pai de seu povo
3) cabeça ou fundador de uma casa, grupo, família, ou clã
4) antepassado
4a) avô, antepassados — de uma pessoa
4b) referindo-se ao povo
5) originador ou patrono de uma classe, profissão, ou arte
6) referindo-se ao produtor, gerador (figuradamente)
7) referindo-se à benevolência e proteção (figuradamente)
8) termo de respeito e honra
9) governante ou chefe (específico)
נדב nadab
(Nadabe = “generoso”)
Procedente de uma raiz;
1) incitar, impelir, ser voluntário
1a) (Qal) incitar, impelir
1b) (Hitpael)
1b1) apresentar-se voluntariamente
1b2) oferecer ofertas voluntárias
נדב n ̂edab(aramaico)
Correspondente a;
1) apresentar-se voluntariamente, oferecer livremente
1a) (Itpael)
1a1) apresentar-se voluntariamente
1a2) dar livremente, oferecer livremente
נדבה n ̂edabah
Procedente de;
1) voluntariedade, oferta voluntária
1a) voluntariedade
1b) de livre vontade, voluntário, oferta

3° Filho de Jessé – Samá, Sama ou Siméia
(I Sm 16:9; 17:13; II Sm 13:3, 32; 21:21; I Cr 2:13; 20:7)

“Samá (Sama), terceiro dos (8) oito filho de Jessé, de acordo com (I Sm 16:9; 17:13), um dos irmãos de Davi é "Samá"[5], entretanto, em (II Sm 13:3, 32; 21:21; I Cr 2:13; 20:7) o seu nome consta como "Siméia"[6]. Não é incomum que nomes próprios tenham grafias diferentes, devido a padrões de pronúncia regionais diferentes. Segundo (I Sm 16:9; 17:13), o nome, no hebraico, tem a repetição da letra correspondente ao "m". Isso pode indicar que na região de Judá a tendência era de não se pronunciar a consoante gutural "ayin", que aparece na grafia desse nome em (II Sm 13:3, 32; 21:21; I Cr 2:13; 20:7), e que esse fato era compensado dobrando-se o "m". Talvez isto nos indique que a redação dada em (II Sm 13:3, 32; 21:21; I Cr 2:13; 20:7) seja a correta, e que a grafia de (I Sm 16:9; 17:13) seja apenas a reprodução do padrão da pronúncia daquela região.
[5] שמה Shammah (hebraico)
(Samá, Sama = “espanto”)
1) desolação, horror, assombro
1a) uma desolação (de terra, cidade, etc)
1b) assombro, horror
שמם shamem
O mesmo que procedente de uma raiz primitiva;
1) estar desolado, estar aterrorizado, atordoar, estupefazer
1a) (Qal)
1a1) estar desolado, estar assolado, estar abandonado, estar aterrorizado
1a2) estar aterrorizado, estar assombrado
1b) (Nifal)
1b1) ser desolado, ficar desolado
1b2) estar aterrorizado
1c) (Polel)
1c1) estar aturdido
1c2) assombrado, causando horror (particípio)
1c2a) o que causa horror, o que aterroriza (substantivo)
1d) (Hifil)
1d1) devastar, tornar desolado
1d2) horrorizar, demonstrar horror
1e) (Hofal) jazer desolado, estar desolado
1f) (Hitpolel)
1f1) causar ser desolado
[6] שמעה Shim ̀ah (hebraico)
(Siméia = “fama”)
שמע shema ̀
Procedente de;
1) notícia, uma informação
שמע shama ̀
Feminino procedente de uma raiz primitiva;
1) ouvir, escutar, obedecer
1a) (Qal)
1a1) ouvir (perceber pelo ouvido)
1a2) ouvir a respeito de
1a3) ouvir (ter a faculdade da audição)
1a4) ouvir com atenção ou interesse, escutar a
1a5) compreender (uma língua)
1a6) ouvir (referindo-se a casos judiciais)
1a7) ouvir, dar atenção
1a7a) consentir, concordar
1a7b) atender solicitação
1a8) escutar a, conceder a
1a9) obedecer, ser obediente
1b) (Nifal)
1b1) ser ouvido (referindo-se a voz ou som)
1b2) ter ouvido a respeito de
1b3) ser considerado, ser obedecido
1c) (Piel) fazer ouvir, chamar para ouvir, convocar
1d) (Hifil)
1d1) fazer ouvir, contar, proclamar, emitir um som
1d2) soar alto (termo musical)
1d3) fazer proclamação, convocar
1d4) levar a ser ouvido n. m.
2) som

4º Filho de Jessé – Natanael
(I Cr 2:14)

“Natanael”[7], quarto dos (8) oito filhos de Jessé, registrado em (I Cr 2:14), pouco se sabe a seu respeito, a Bíblia só faz esta citação a seu respeito.
[7] נתנאל N ̂ethane’l(hebraico)
(Natanael = “dado por Deus”)
נתן nathan
(Natã = “doador”)
Procedente de uma raiz primitiva;
1) dar, pôr, estabelecer
1a) (Qal)
1a1) dar, conceder, garantir, permitir, atribuir, empregar, devotar, consagrar, dedicar, pagar salários, vender, negociar, emprestar, comprometer, confiar, presentear, entregar, produzir, dar frutos, ocasionar, prover, retribuir a, relatar, mencionar, afirmar, esticar, estender
1a2) colocar, estabelecer, fixar, impor, estabelecer, designar, indicar
1a3) fazer, constituir
1b) (Nifal)
1b1) ser dado, ser concedido, ser providenciado, ser confiado a, ser garantido a, ser permitido, ser emitido, ser publicado, ser afirmado, ser designado
1b2) ser estabelecido, ser posto, ser feito, ser imposto
1c) (Hofal)
1c1) ser dado, ser concedido, ser abandonado, ser entregue
1c2) ser colocado sobre
נתן n ̂ethan(aramaico)
Correspondente a;
1) dar
1a) (Peal)
1a1) dar
1a2) dar, permitir
1a3) dar, pagar
אל ’el
Procedente de forma contrata de;
1) deus, semelhante a deus, poderoso
1a) homens poderosos, homens de posição, valentes poderosos
1b) anjos
1c) deus, deus falso, (demônios, imaginações)
1d) Deus, o único Deus verdadeiro, Javé
2) coisas poderosas na natureza
3) força, poder

5º Filho de Jessé – Radai
(I Cr 2:14)

“Radai”[8], quinto dos (8) oito filhos de Jessé, registrado em (I Cr 2:14), como “Natanael” o quarto filho, pouco se sabe a seu respeito também, pois a Bíblia só faz esta citação a seu respeito.
[8] רדי Radday (hebraico)
(Radai = “o que esmaga”)
רדה radah
Forma intensiva procedente de uma raiz primitiva;
1) governar, ter domínio, dominar, submeter
1a) (Qal) ter domínio, governar, subjugar
1b) (Hifil) levar a dominar
2) raspar
2a) (Qal) raspar, retirar

6º Filho de Jessé – Ozém
(I Cr 2:15)

“Ozém”[9], sexto dos (8) oito filhos de Jessé, registrado em (I Cr 2:15), como “Natanael” o quarto filho e “Radai” o quinto filho, pouco se sabe a seu respeito também, pois a Bíblia só faz esta citação a seu respeito.
[9] אצם ’Otsem (hebraico)
(Ozém = “Eu os apressarei”)
Procedente de uma raiz não utilizada provavelmente significando ser forte.

7º Filho de Jessé – (DESCONHECIDO)
(I Sm 16:10-11; 17:12-14; I Cr 2:13-15)

“DESCONHECIDO”, observe o relato em (I Sm 16:10) Jessé passa seus (7) sete filhos na presença do profeta Samuel que escolheria um deles para ser ungido a rei, faltava o mais moço, o último que no caso era Davi (I Sm 16:11), já em (I Sm 17:12) diz que Jessé tinha (8) oito filhos e era já velho e adiantado em idade. O registro de (I Cr 2:13-15) diz que Jessé possuiu (7) sete filhos, esse filho o seu nome não foi mencionado na Bíblia, visto que Davi era o oitavo entre eles (I Sm 16:10-11; 17:12-14). É possível que tivesse morrido antes de constituir uma família, provavelmente tenha morrido ainda jovem. Sabemos que os seus irmãos mais velhos, “Eliabe, Abinadabe e Samá” eram soldados, homens guerreiros (I Sm 17:13) e participavam de grandes batalhas, e assim não tenha deixado descendência e não sendo essencial para a genealogia.

8º Filho de Jessé – Davi
(I Sm 16:10-13; 17:14; I Cr 2:15)

“Davi”[10], oitavo (o último, o caçula) num total de (8) oito filhos que Jessé possuía, registrado em (I Sm 16:10-13; 17:14; I Cr 2:15), foi o escolhido entre (7) sete dos seus irmãos por Deus, para ser ungido à rei pelo profeta Samuel (I Sm 16:13), no lugar do rei Saul, que foi rejeitado por Deus (I Sm 13:13-14; 15:23, 28, 35 ;16:1; 28:17; At 13:22), tornando o segundo e mais ilustre dos reis de Israel, conhecido como o homem segundo o coração de Deus (At 13:22). A Bíblia possui inúmeras referências a Jessé como sendo o pai biológico de “Daví” (Rt 4:17,22; I Sm 16:10-13, 19-20; 17:12, 17, 58; 20:27; 25:10; II Sm 20:1; 23:1; I Rs 12:16; I Cr 2:12-15; 10:14; 12:18; 29:26; II Cr 10:16; 11:18; Sl 72:20; Mt 1:6; Lc 3:32; At 13:22).
[10] דוד David (hebraico) raramente (forma plena) דויד Daviyd (hebraico)
(Davi = “amado”)
דוד dowd ou (forma contrata) דד dod
Procedente de uma raiz não utilizada significando, primeiramente, ferver;
1) amado, amor, tio
1a) amado, querido
1b) tio
1c) amor (pl. abstrato)
דוד duwd
Procedente da mesma raiz que;
1) pote, jarro, cesta, chaleira
1a) pote, chaleira
1b) cesta, jarro

Davi possuiu (2) duas irmãs
(I Cr 2:16)

Davi possuía (2) duas irmãs, “Zeruia e Abigail” (ICr 2:16). Alguns peritos crêem ter sido elas apenas meias-irmãs, aparentada por parte de mãe, mas não por parte de pai, na Bíblia não há registro do nome da mãe de Davi (I Sm 22:3), que é desconhecido de todos estudantes das sagradas escrituras. Em (II Sm 17:25), reza que “Abigail” é chamada de "filha de Naás". Na versão dos setentas (LXX Septuaginta grega) edição de Lagarde reza "Jessé", ao invés de "Naás", neste versículo. Várias traduções modernas também rezam dessa forma. No entanto, é digno de nota que o registro em (I Cr 2:16) não chama “Zeruia e Abigail” de “filhas de Jessé”, mas, antes, de "irmãs" dos filhos de Jessé, inclusive Davi. Isto permite crer na possibilidade de que a mãe deles (que é desconhecido o seu nome) tivesse primeiro casado, a quem deu à luz as (2) duas filhas, antes de se tornar esposa de Jessé e mãe de seus (8) oito filhos, com um homem chamado “Naás” (II Sm 17:25), provavelmente seja o rei “Naás” como descreve em (I Sm 11:1-2), que foi morto pelo rei Saul, segundo o historiador judeu Flávio Josefo. Estes versículos são de difíceis compreensões para muitos rabinos, pois “Naás” poderia ser outro nome de Jessé, pai de Davi; para outros, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé; para outros mais, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé. Então “Zeruia e Abigail” seriam meias-irmãs de Davi e enteadas de Jessé seu pai.

1ª Irmã de Davi – Zeruia
(I Cr 2:16)

“Zeruia”[11], era irmã ou provavelmente, meia-irmã de Davi, e mãe de “Abisai, Joabe e Asael” (II Sm 2:18; I Cr 2:16-17). Há quem defenda que “Abigail”, irmã de “Zeruia”, era “filha de Naás”, embora não se declare isso diretamente a respeito de “Zeruia” (II Sm 17:25). Diz-se também que “Zeruia e Abigail” eram “irmãs” dos filhos de Jessé conforme (I Cr 2:16). Por isso, é possível que fossem filhas da esposa de Jessé, de um possível casamento anterior dela com “Naás” (II Sm 17:25), provavelmente seja o rei “Naás” como descreve em (I Sm 11:1-2), que foi morto pelo rei Saul, segundo o historiador judeu Flávio Josefo. Estes versículos são de difíceis compreensões para muitos rabinos, pois “Naás” poderia ser outro nome de Jessé, pai de Davi; para outros, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé; para outros mais, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé. Então “Zeruia” seria meia-irmã de Davi e enteada de Jessé seu pai. “Zeruia” era consideravelmente mais velha do que Davi, porque os filhos dela parecem ter tido mais ou menos a mesma idade que Davi. O nome de “Zeruia” usualmente é associado com os seus (3) três filhos “Abisai, Joabe e Asael”, que todos eram lutadores valentes a favor de Davi (II Sm 2:13,18; 16:9; 17:25; 18:2). A única referência Bíblica feita ao pai dos (3) filhos de “Zeruia” é que ele foi enterrado em Belém (II Samuel 2:32).
[11] צרויה Ts ̂eruwyah (hebraico)
(Zeruia = “bálsamo”)
part. passivo, procedente da mesma raiz que;
צרי ts ̂eriyou צרי tsoriy
Procedente de uma raiz não utilizada significando rachar (separar, fenda) por pressão, daí, escorrer;
1) um tipo de bálsamo, resina, fragância
1a) referindo-se à mercadoria
1b) referindo-se ao remédio

2ª irmã de Davi – Abigail
(I Cr 2:16)

“Abigail”[12], era irmã ou provavelmente, meia-irmã de Davi, e mãe de “Amasa”, sobrinho de Davi e primo de Joabe (II Sm 17:25; I Cr 2:16-17), e provavelmente neto do rei “Naás”, como descreve em (I Sm 11:1-2), que foi morto pelo rei Saul, segundo o historiador judeu Flávio Josefo. Estes versículos são de difíceis compreensões para muitos rabinos, pois “Naás” poderia ser outro nome de Jessé, pai de Davi; para outros, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé; para outros mais, “Naás” foi o primeiro marido da mulher de Jessé. Então “Abigail”, seria meia-irmã de Davi e enteada de Jessé seu pai. Não se pode, por conseguinte, declarar dogmaticamente que “Abigail” fosse filha de Jessé. “Abigail”, irmã de Davi, é mencionada como dando à luz apenas um filho, “Amasa”. O marido dela é chamado “Itra, o israelita”, em (II Sm 17:25), mas nos outros lugares é chamado “Jéter” (I Rs 2:5, 32), e em (I Cr 2:17) é mencionado como "Jéter, o ismaelita". É possível que “Abigail” contraísse matrimônio com “Jéter” durante o tempo em que Jessé e sua família moravam na terra de Moabe (I Sm 22:3-4). Seu filho, “Amasa”, não recebeu nenhuma atenção evidente durante o reinado de Davi, até a rebelião de Absalão. O primo dele, Absalão, então o fez chefe de suas forças armadas. Todavia, depois da morte de Absalão, o irmão de “Abigail”, o rei Davi, teve tratos com o filho dela, “Amasa”, para obter apoio para sua volta ao trono, e, depois disso, fez de “Amasa” o chefe do exército, substituindo Joabe (II Sm 19:11-14). Esta designação logo trouxe a morte para o filho de “Abigail”, às mãos de seu amargurado primo, Joabe (II Sm 20:4-10).
[12] אביגיל ’Abiygayil (hebraico) אביגל ’Abiygal (hebraico)
(Abigail = “meu pai é alegria”)
אב ’ab
Procedente de uma raiz;
1) pai de um indivíduo
2) referindo-se a Deus como pai de seu povo
3) cabeça ou fundador de uma casa, grupo, família, ou clã
4) antepassado
4a) avô, antepassados — de uma pessoa
4b) referindo-se ao povo
5) originador ou patrono de uma classe, profissão, ou arte
6) referindo-se ao produtor, gerador (figuradamente)
7) referindo-se à benevolência e proteção (figuradamente)
8) termo de respeito e honra
9) governante ou chefe (específico)
גיל giyl
Procedente de;
1) um júbilo
2) um círculo, idade
גיל giyl ou (por permuta) גול guwl
Procedente de uma raiz primitiva;
1) alegrar, exultar, estar contente
1a) (Qal)
1a1) alegrar
1a2) tremer (de medo)

FONTES:

• Bíblia (ARA) Almeida Revista e Atualizada
• Bíblia (ARC) Almeida Revista e Corrigida
• Bíblia (Edição Contemporânea)
• Bíblia (NVI) Nova Versão Internacional
• Concordância Exaustiva da Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional – Editora Vida
• Dicionário Bíblico Strong – James Strong - Léxico Hebraico, Aramaico e Grego – Sociedade Bíblica do Brasil – Edição 2002
• Dicionário Bíblico Universal – Buckland – Editora Vida – 13ª Edição 1998
• Dicionário da Bíblia de Almeida – Sociedade Bíblica do Brasil – 2a Edição 1999
• Dicionário Hebraico – Português & Aramaico – Português – Editora Sinoval e Vozes – 10ª Edição 1999
• Enciclopédia Manual Popular - Enigmas e “Contradições da Bíblia” – Norman Geisler – Thomas Howe – Ed. Mundo Cristão – 1ª Edição 02/1999
• História dos Hebreus – Obra Completa – Flávio Josefo – Editora CPAD – 5ª Edição 1999
• Internet – Wikipédia – A Enciclopédia Livre – http://pt.wikipedia.org
• Minidicionário da Língua Portuguesa – Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – Editora Nova Fronteira
• Minidicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Alpheu Tersariol – Editora Edelbra
• Novo Comentário da Bíblia – F. Davidson – Editora Vida Nova – 1997
• Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boer – Instituto Bíblico das Assembléias de Deus

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Quem Matou o Gigante Golias, Davi ou Elanã?

17:35

1 Samuel 17:50 diz que foi Davi que matou Golias, e 2 Samuel 21:19 diz que foi Elanã quem o matou. Então quem o matou?

Em (1 Samuel 17:50-51), registra a dramática história de como Davi, filho de Jessé, matou o gigante Golias. Davi é descrito como aquele que cortou a cabeça de Golias, depois de tê-lo atingido com uma pedra de sua funda. Entretanto, de acordo com (2 Samuel 21:19), foi Elanã, filho de Jaaré-Oregim, quem matou Golias, o geteu. Por que uma passagem credita a Davi a morte de Golias e a outra, a Elanã?

A passagem de (2 Samuel 21:19), que diz: "Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, feriu Golias, o geteu, cuja lança tinha a haste como eixo do tecelão", apresenta obviamente um erro de copista. Isso é reforçado pelo fato de que há uma passagem paralela em (1 Crônicas 20:5), que diz: "Elanã, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias, o geteu, cuja lança tinha a haste como eixo de tecelão". A falha ocorrida na passagem de (2 Samuel 21:19) pode ser delineada admitindo-se a confusão feita por um copista com as palavras e letras hebraicas que, quando combinadas de certa maneira, deram a redação encontrada em 2 Samuel. [1]

GRANDES PELEJAS CONTRA OS FILISTEUS (2Sm 21.15-22). Não se registra a altura em que se deram estes acontecimentos. É possível que a descrição tenha sido copiada de algum registro oficial de grandes e heróicos feitos; a fonte semelhante se deriva também a passagem de (2Sm 23.8-39). Todos estes feitos se dirigem contra os filhos ou progênie (Heb. yaldhe) do gigante (Heb. ha-Raphah) (16,18,20,22). A palavra Rapha (Haraphah com artigo) pode ser o nome próprio de uma raça de gigantes chamada dos refains (cf. Gn 14.5; Gn 15.20; 2Sm 5.18). Os filhos que aqui se mencionam são diferentes dos nefilim ou "gigantes" (Gn 6.4; Nm 13.33), e dos filhos de Enaque (Nm 13.28,33; Dt 9.2; Js 15.13-14) para cuja referência se usa a palavra nefilim. É provável que no versículo 17 a versão correta seja: "e ele (Davi) feriu o filisteu e o matou", versão que se harmoniza com o versículo 22. Desse momento em diante o povo recusou-se a consentir que Davi tornasse a arriscar a vida, pois que esta era, para eles, como a lâmpada de Israel (17). Elanã, filho de Jaaré-Oregim... (19). Certa versão acrescenta "O irmão de", expressão que antepõe ao nome de Golias a fim de fazer coincidir a descrição com a de (1Cr 20.5); mas a inserção não é apoiada por nenhuma das versões antigas. Em (1Cr 20.5), o texto é: "e Elanã, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias o geteu". Levanta-se, pois, a importante questão sobre qual dos textos estará correto-o de Samuel ou o de Crônicas. Os comentadores liberais mantêm que não é histórico o episódio relatado em (1Sm 17), segundo o qual Davi mata o gigante Golias. Baseiam a sua afirmação em (2Sm 21.19) que atribui a morte de Golias a Elanã. Como réplica, asseveram alguns terem existido dois Golias; o fato é improvável se bem que, por estranho que pareça, houvesse dois Elanãs, ambos de Belém (cf. 2Sm 23.24). Da mesma maneira poderia haver dois Golias de Gate, um morto por Davi e outro por Elanã. Trata-se, contudo, de uma explicação pouco satisfatória. Não há, na verdade, dúvida de que a descrição de (1Cr 20.5) é exata e de que Elanã matou Lami, irmão de Golias. Em (2Sm 21.19) há dois erros evidentes, dois erros de copista. O versículo termina com a palavra oregim, isto é, "tecelãos". No hebraico a palavra é "órgão de tecelãos" (pl.) não "órgão de tecelão". Ora, a palavra oregim aparece no meio do verso no nome Jaaré-Oregim. O nome Jair de (1Cr 20.5) é sem dúvida preferível a Jaaré. O copista teria visto oregim no fim do versículo e escrevê-lo-ia depois do nome de Jair. Depois transpôs as letras hebraicas de Jair, que ficou Jaaré-concordância pedida pelas leis, da gramática hebraica. Por outro lado, no texto hebraico da passagem de Samuel, as palavras "belemita" e "Golias" aparecem juntas (beth halachmi’eth golyath hagitti) e assemelham-se muito de perto às palavras de Crônicas "Lami, irmão de Golias" (’ eth lachmi ‘achi golyath hagitti). Os especialistas concordam que um dos textos é uma deturpação do outro mas hesitam em decidir-se por um. O fato de ter o copista errado em Jaaré-Oregim mostra estar a deturpação em (2Sm 21.19) e não constituir (1Cr 20.5) uma tentativa para desfazer a suposta discrepância entre (2Sm 21.19) e (1Sm 17) onde se relata a morte de Golias por Davi.

Certo comentador faz uma longa exposição, com a qual pretende justificar a seguinte tradução de (2Sm 21.19): "Elanã, filho de Jessé, o belemita, feriu Golias...". Segundo uma velha tradição judaica, preservada no Targum e aceita por S. Jerônimo, Elanã era outro nome para Davi. Infelizmente não existem provas de que assim fosse. A aceitação do texto hebraico de (1Cr 20.5) como sendo o correto, tende a destruir a interpretação dos comentadores que vêem afirmações contraditórias em (1Sm 17) quanto à parte tomada por Davi.

A MORTE DE CAMPEÕES FILISTEUS (1Cr 20.4-8). Ver (2Sm 21.18-22). Gezer (4); "Gobe" em (2Sm 21.18). Sipai (4); "Safe" em (2Sm 21.18). E Elanã, filho de Jair, feriu a Lami, irmão de Golias, o geteu (5). Em (2Sm 21.19), lemos: "E Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, feriu Golias, o geteu".

O crítico extremista considera axiomático que Samuel tem razão e que, portanto, a história de (1Sm 17) não passa de uma tradição sem valor. Este versículo é, portanto, posto de parte como uma tentativa do cronista de se libertar de uma discrepância. Para uma análise pormenorizada, ver a nota referente a (2Sm 21.19). Não há motivo adequado para não aceitar a afirmação de Crônicas. [2]

FONTES:
[1] - Enciclopédia Manual Popular. Enigmas e “Contradições da Bíblia” – Norman Geisler – Thomas Howe – Ed. Mundo Cristão
[2] - Novo Comentário da Bíblia – F. Davidson – Ed. Vida Nova
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O Profeta Elias Subiu ao Céu Num Carro de Fogo?

16:01





Sempre ouvimos falar que Elias subiu em um carro de fogo ao céu, não foi bem assim, olhe o que a Bíblia diz:

“Sucedeu que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu de Gilgal com Eliseu.” (II Rs 2:1) (ARA)

“E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.” (II RS 2:11) (ARA)

Observe que o carro de fogo só separou o Profeta Eliseu do Profeta Elias; e o Profeta Elias subiu ao céu em um redemoinho.
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